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De Salvador para Maratona de João Pessoa - Por Roberto Encarnação


Com Marcondes Lyra numa chegada simultânea da Maratona e Meia de João Pessoa

E, graças a Deus, retornamos a capital paraibana para novamente correr (desta vez numa prova oficial) 42,2 km.


A festa que teria seu ápice no domingo de manhã, teve início já na sexta-feira ao descer do bus em Maceió, para me juntar ao irmão Marcondes Lyra e os amigos Damião e Saci, para cobrir o restante da viagem de carro até Jampa.


Com Saci, Marcondes e Damião



A velha e boa soltura na Praia de Cabo Branco e um breve passeio pelos lados da Feirinha de Artesanato em Tambaú, iriam garantir a continuidade da folia no sábado.






A Maratona de João Pessoa reuniu atletas de 22 estados mais o Distrito Federal e foi show de organização do começo ao fim: Entrega de kit, pontualidade na largada, hidratação com água gelada e isotônicos, cerimônia de premiação, etc.


Além da prova principal, houve disputas de 5, 10 e 21k, todas com largada às 5h45.












Encontro com Luciana Ramos na entrega de kit.



Os maratonistas seriam os únicos a deixar “o Busto de Tamandaré” às 4h30, detalhe mais que importante quando se está correndo na cidade em que o sol nasce primeiro e, consequentemente, esquenta primeiro rs.




A PROVA



Soada a buzina, em ritmo condizente com o momento da periodização, lá fomos nós para o passeio pessoense.


Num desenho semelhante a um L, os 18km da primeira perna da prova, nos levaria numa viagem de ida e volta ao Centro da Cidade, através da Avenida Epitácio Pessoa.


Amanhecer o dia, podendo contemplar em ritmo confortável cartões postais como a Sólon de Lucena, realçava ainda mais o status de treino luxuoso da Maratona de João Pessoa, venturosamente encaixada na preparação rumo aos 42,2 de Porto Alegre em junho próximo.


No sobe e desce do Centro Histórico, num dos muitos cotovelos, ao cruzar com Damião, fui avisado pelo amigo que estava na 14ª colocação.


A primeira hora de corrida foi completada com pouco menos de 14km.

Correndo ao lado de um atleta do bairro de Candeias em Jaboatão dos Guararapes (Jairo Lira da Silva), com ele dividi o pensamento de quão determinante seria chegarmos na orla antes da largada das demais distâncias.


Damião voando em frente ao Teatro Santa Roza



Tirando o máximo de proveito dos declives no retorno, seguimos... e as placas iam se sucedendo, KM15, KM 16, KM17.... de repente, de longe avistávamos a multidão prestes a largar.

Pegando uma rua lateral, saímos na praia uns 500 metros à frente da arena, exatamente na hora em que a contagem regressiva era iniciada.

Time perfeito. Acredito que os atletas que não conseguiram passar antes dessa largada tiveram comprometidas as suas performances.







Com Jairo, segundos antes da largada geral, ufa!



Dali por diante, minha brincadeira era perseguir os primeiros atletas que nos ultrapassava. Na verdade bem pouquinho no começo, pois os primeiros que nos alcançaram (apenas 2 atletas antes da volta dos 10 e cerca de 15 atletas antes do retorno meia) estavam voando em suas modalidades.


Experimenta daqui, experimenta dali. De repente já estava com alguns pacers de 21k. Acho que foi neste ínterim que me distanciei de Jairo. Infelizmente (ou não rs) a turma da meia, retornava 2,5 km antes dos maratonistas.



E foi justamente nesta hora em que estávamos sozinhos, que fui ultrapassado por dois corredores um na altura do km 29 e outro (Michell Tralltiman) logo após o retorno nos 30k.

Pelas minhas contas de passa e repassa, com essa última ultrapassagem estava deixando o top 10 da maratona.



Havia uma premiação diferenciada para os 25 primeiros da prova, algo que até achava possível. Nem em meus melhores sonhos poderia me imaginar numa briga pelas 10 primeiras posições. Uma vez, porém, que a situação se apresentara, com os devidos cuidados, dedicar-me-ia a ela,


No km 32, finalmente, o engarrafamento. Em meio a multidão que seguia na meia, olhos fixo no corredor da frente, superamos um maratonista.


De repente no km 38, aquilo que viria a ser a cereja do bolo: o encontro com Marcondes.

Recuperando-se de problemas de coluna, o amigo que vinha fazendo uma meia bem conservadora e na verdade vivia a expectativa da minha passagem, começou a me puxar nos 4 kms finais.


Coincidentemente ele havia perguntado a Michell (o corredor que vinha mirando desde o km 30) sobre sua posição na prova, que o afirmara estar em décimo colocado.


Entre as muitas caretas que os 33 graus momentâneos me exigiam para manter um ritmo mínimo competitivo, aceitável para aquele final de prova, contei ao amigo que havíamos passado um atleta há alguns minutos e que provavelmente ele não havia se dado conta.

Esforçando-me para manter-me próximo de Marcondes, disse-lhe também que Damião estava pertinho quando fizemos a volta no km 30 e provavelmente já estava colado.


No Km 40, exatamente 10 km depois, a concentração foi recompensada, e finalmente “devolvemos” a ultrapassagem.


Naquele momento, sabia-me em 8º e tendo passado na marca um pouco abaixo de 3h de prova, já estava muuuuito satisfeito com o que estava entregando em Jampa.


Some-se a isso, a alegria pelo fato de estar ali, lado a lado com um amigo tão especial, que naquele momento, ao mesmo tempo que me puxava, também espantava o fantasma de sua não ida a Porto Alegre em junho.




Emoção até o fim, nos últimos metros deixamos para trás mais um atleta da de 42,2, conquistando nessa ultrapassagem o título da categoria 55/59, (coisa que só iria descobrir posteriormente) e a sétima colocação geral na Maratona de João Pessoa 2023, com o tempo oficial de 03h 08' 47 segundos.


Com uma generosa tirada de pé de Marcondes, conscientes da magia daquele momento em que mesmo em distâncias diferentes nossas provas se cruzaram, juntos, cruzamos o pórtico.


Com Damião esperando a premiação do Top 25


Pouco mais de 2 minutos depois, dando show de humildade e de entendimento de que cada prova é uma prova, Damião (corredor com marca de 2h52 em maratona) entre gritos eufóricos e choro de emoção genuína, transporia o tapete de chegada na décima colocação geral.


Festa, festa, festa...Graças a Deus!








Pré prova - combustível nordestino dos bons



Joãozinho (com sua mamãe) em seu primeiro voo - SSA-BSB









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